13.11.09

Vinhos de sobremesa, doces e fortificados


Amigos confrades, ontem em degustação na ABS SP, tive o prazer de conhecer 4 excelentes vinhos doces. Daqueles que nos fazem pensar na vida, com calma! A seleção foi muito feliz, a começar pela diversidade de estilos e países: Áustria, Hungria, França e Portugal, nesta ordem. Falaremos hoje de 3 métodos de elaboração para vinhos doces: os vinhos Botrytisados, os de Colheita Tardia e os Portos.
No 1º, a uva ainda no pé, é atacada por um fungo, causando a “Podridão nobre”. Aparentemente a uva está “podre” mas, na verdade, são destas uvas horrorosas que saem os grandes vinhos doces do mundo. Isto é possível somente em certas regiões do mundo onde um Terroir perfeito (mix de umidade e calor, sempre com neblina) permite que o fungo ataque a uva sem “matá-la”.

No 2º método, a uva permanece no pé por um período mais longo, acentuando seu grau de açúcar. Também é conhecido como Late Harvest. A dificuldade aqui fica por conta do risco de chuva durante o período de exposição da videira.

O 3º método é bem diferente. Nele o vinho sofre uma adição de álcool durante o processo de fermentação. Com isso, a transformação química natural do açúcar da uva em álcool é interrompida e o resultado é um vinho mais alcoólico e ainda com açúcar residual.


Ambos os métodos são capazes de produzir vinhos fantásticos. A acidez, principalmente nos 2 primeiros, deve ser elevada para tornar o vinho fresco e vivo, equilibrando o álcool e a concentração de açúcar residual. O rendimento destes vinhos sempre são muito baixos e, portanto, seu preço é normalmente elevado. Os vinhos degustados foram:

Vinho e produtor: Cuvée Beerenauslese 2006, Alois Kracher
Região e pais: Burgenland, Austria; Preço: U$ 49,50; Importador: Mistral; Notas: com notas de flores, frutas e flor de laranjeira, foi o mais elegante e delicado da degustação. Corpo médio e ótima acidez.

Vinho e produtor: Tokaji Aszú 3 Puttonyos 2000, Oremus/Veja Sicília
Região e pais: Tokaji, Hungria; Preço: U$ 87,50; Importador: Mistral; Notas: cor dourado intenso, notas cítricas, mel e tostado. Encorpado, com incrível acidez e persistência.

Vinho e produtor: Brumeire Pacherenc Du Vic Bilh Doux 2005, Alain Brumont
Região e pais: Madiran, França; Preço: R$ 130,80; Importador: Decanter; Notas: coloração intensa dourada, com aromas elegantes de frutas tropicais, mel intenso e notas de baunilha. Na boca é untuoso, encorpado e equilibrado, com leve predomínio do açúcar.

Vinho e produtor: Noval LBV 2001, Quinta do Noval
Região e pais: Douro, Portugal; Preço: R$ 145,00; Importador: Grand Cru; Notas: ruby intenso e vivo. Aromas de frutas em compota, especiarias, terroso e mineral. Na boca é encorpado, com taninos finíssimos, boa acidez e persistência longa.

Viva o vinho de sobremesa e TinTin!

12.11.09

Confraria 7 de Novembro

Amigos, a Confraria do João voltou a se reunir. Depois de uma viagem rápida pela França e algumas de suas regiões vinícolas, a escolha do tema foi fácil como nunca: a Pinot Noir. Degustamos 4 vinhos elaborados com a emblemática cepa da Borgonha, de 4 países diferentes, numa tentativa de entender o quanto o Terroir pode influenciar nos vinhos produzidos pela delicada 'Pinot'.
O personagem Miles, em trechos do filme sideways (que já ocupou espaço neste blog) nos ajudou a compreender o quão complexa e temperamental pode ser esta uva. Os vinhos degustados foram:
Vinho e produtor: Hautes Côtes de Nuits 2005, Domaine Antonin Guyon;
Região e país: Borgonha, França; Preço: R$ 113,30; Notas: elegante e equilibrado, passa 12 meses em carvalho francês; Harmonização: Farfale com ragu de perdiz, Coq au vin;
Vinho e produtor: Reserva Pinot Noir 2008, Luigi Bosca;
Região e país: Lujan de Cuyo, Argentina; Preço: R$ 60,15; Notas: ótima relação custo x prazer, passa 8 meses em carvalho francês e tem 90RP; Harmonização: Codornas assadas, Pasta ao molho fungui;
Vinho e produtor: Pinot Nero Prendo 2006, Elena Walch; Região e país: Alto Adige, Itália; Preço: R$ 81,00; Notas: redondíssimo e macio na boca, passa 6 meses em grandes botti de carvalho eslovano; Harmonização: Nhoques de abóbora com ricota, Salmão grelhado mal passado;
Vinho e produtor: Reserve Expresion Pinot Noir 2008, Villard; Região e país: Casablanca, Chile; Preço: R$ 81,30; Notas: potente e de personalidade, 60% do vinho passa 8 meses em carvalho francês; Harmonziação: Atum fresco, Raviole com molhos cremosos.
O encontro foi no último sábado, na Enoteca Decanter São Paulo. Até a próxima, TinTin!

30.8.09

Os efeitos da madeira no vinho

Amigos, semana passada provei 2 vinhos com 1 característica em comum: a presença significativa e marcante da madeira em sua elaboração. Podemos notar claramente como o estágio ou ainda a fermentação em madeira pode trazer características singulares aos vinhos brancos e tintos.
A discussão sobre os efeitos da madeira no vinho é controversa e parece não ter fim. Existem 1001 maneiras de se utilizar a madeira durante o processo de produção de um vinho e os resultados são ainda mais abrangentes. Alguns defendem que a utilização da madeira em excesso, faz com que o vinho perca as qualidades naturais da uva e do Terroir. Outros garantem que a madeira só potencializa estes mesmos aromas. O fato é que ainda sabemos muito pouco sobre os efeitos da madeira sobre o vinho. Há alguns anos muitos produtores passaram a utilizar o ‘chip’ de madeira como forma de baratear o processo. Já sabemos que o resultado alcançado não é o mesmo comparado com a utilização da tradicional e cara barrica de carvalho.
Vinho e produtor: Mer Soleil Chardonnay 2005, Caymus Vineyards
Região e país: Monterey, Califórnia, EUA
Preço: R$ 186,06 na Mistral
Notas: a característica principal deste ótimo vinho é que ele foi fermentado em barricas de carvalho e ainda passou cerca de 10 meses em contato com o mosto. Isto lhe conferiu uma linda cor amarelo ouro brilhante; aromas complexos de frutas maduras evoluídas, mel, baunilha, frutas secas, toque florais, manteiga e uma longa persistência na boca.
Harmonização: na minha opinião estamos tratando de um vinho de Meditação que deve ser apreciado com calma sem nenhum acompanhamento. Não gostou da minha dica? Tente uma lagosta com manteiga de laranja!
Vinho e produtor: Viña Ardanza Reserva 2000, La Rioja Alta
Região e país: Rioja, Espanha
Uvas: 80% Tempranillo, 20% Garnacha
Preço: R$ 198,00 na Zahil
Notas: depois de evoluir por 3 anos em carvalho, seus aromas são de frutas em compota, verniz e Sous Bois (terra, graveto). Este último aroma e sua coloração granada (com reflexos alaranjados) faz com que este vinho seja muitas vezes confundido com os grandes Pinots da Borgonha. Na boca, acidez marcante, fresco e elegante com média persistência.
Harmonização: Pato, Peru, carnes de caça e embutidos
Saúde!

19.8.09

Harmonização de A a Z (letras L, M e N)

Todos nós lidamos diariamente com um número incontável de situações e experiências: é chef/trabalho/funcionário, facebook/Linkedin/twitter, academia/trânsito/happy hour, família/eu/amigos... Parece que o dia simplesmente não cabe nas 24 horas e que EU é pouco para dar conta de tudo.
Para os filósofos de plantão, para compensarmos toda esta ansiedade, angústia e medo que nos aflige sem trégua, buscamos uma compensação, uma recompensa por vivermos tão loucamente. Para tanto, nada como ir às COMPRAS, o milagreiro remédio do capitalismo. Geralmente este “prêmio” começa com uma frase: “Eu mereço”!
Alguns arrasam lojas de Shoppings à procura do sapato perfeito, outros se divertem na internet comprando a mais nova máquina de mil-mega-pixels com sensor de felicidade e correção de maquiagem e existem, ainda, os que preferem comer para se acalmar. No meu caso, vale a última alternativa, somado à uma garrafinha de vinho. Quer coisa melhor?
Como ainda é cedo, vou me contentando com uns ovos mexidos acompanhados de uma taça de espumante Brut. Tenho certeza, porém, que o dia não será fácil (tomara!), assim, ao fim do dia, merecerei um belo tinto encorpado e complexo. O prato?... ainda não tenho certeza... vai depender do trânsito da marginal, da reunião das 3, ...
LAGOSTA: brancos encorpados como Chardonnays da Borgonha; LASANHA: tintos frutados como os italianos Rosso di Montalcino ou Primitivo; LINGUADO: Chardonnays encorpados franceses ou californianos; LINGUIÇAS: tintos de qualidade como Cabernets, Côtes Du Rhône, Zinfandel e Shiraz; LULAS: brancos refrescantes como Pinot Blanc ou tintos médios como Navarra.
MARISCOS: brancos secos como Muscadet, Verdicchio e Chablis; MASSAS – Ao pesto: brancos sem madeira como Savennières ou Torrontés argentino; Com molho cremoso: Chardonnays leves ou médios; Com molho de carne: tintos frutados leves ou médios como Dolcetto e Chianti; MOUSSAKA: tintos médios ou encorpados da Toscana ou Rioja Crianza.
NHOQUE: brancos leves como o italiano Pinot Grigio ou tintos leves da uva Merlot ou Valpolicella. Saúde, você merece!

7.8.09

Borbulhas mágicas!

Era uma quinta-feira daquelas... Depois de um dia tenso, parecia que todos os carros de São Paulo estavam na frente do meu e indo pro mesmo lugar, incrível! Já era noite e, até então, não havia nenhum motivo para eu marcar esta data em minha memória.
Fui à uma degustação na ABS, sem saber que o tema da noite seria espumantes e champagnes. Pronto, estava aí a deixa para tornar aquele dia melhor, muito melhor. Como num passe de mágica a vida na megalópole voltou a fazer sentido, o ar ficou leve e floral, a harmonia chegou... e ficou.
Pra quem acha que estou exagerando vai um desafio: compre um dos vinhos abaixo e deguste em boa companhia. Não se esqueça de servir numa taça de cristal e na temperatura correta (5 a 8°C). Depois me conte como foi...
O segredo de um bom espumante está no perfeito equilíbrio entre seu corpo (maciez + ‘doçura’) e sua acidez (frescor). Aqui não pode sobrar nem faltar! Ao mesmo tempo, ele deve preencher nossa boca mostrando todo seu estrato e, ao final, dar uma sensação tão agradável que só podemos pensar em mais uma taça. Os aromas presentes nestes vinhos exemplares são normalmente de fermento (pão, brioche), tostado e manteiga. Degustamos 4 espumantes do velho mundo, um show de equilíbrio e elegância:
Vinho e produtor: Touriga Nacional Bruto, Luis Pato; Região e país: Bairrada, Portugal; Preço: U$ 44,90, na Mistral; Notas: excelente vinho produzido por um dos grandes nomes de Portugal. Feito com 100% de uvas Touriga Nacional, apresenta coloração linda de cobre, bolhas minúsculas e intensas e aromas de frutas vermelhas. Uma ótima aventura!
Vinho e produtor: Brut Nature Trésor, Cava Pere Ventura; Região e país: Penedés, Espanha; Preço: R$ 72,00, na World Wine Notas: de coloração palha claro com reflexos esverdeados, esta Cava possui grande quantidade e intensidade de ‘perlage’. Com aromas tímidos o espumante mostrou todo seu potencial e qualidade na boca, com excelente acidez e equilíbrio. Adoro Cavas!
Vinho e produtor: Ferrari Perlé Brut, Ferrari Fratelli Lenelli SPA Região e país: Trento, Itália; Preço: R$ 210,40, na Decanter; Notas: existem raros espumantes no mundo capazes de serem confundidos com um grande Champagne, este é sem dúvida um deles. Aromas de frutas secas, manteiga e tostado como manda a cartilha. Simplesmente maravilhoso!
Vinho e produtor: Deutz Brut Classic, Champagne Deutz SA; Região e país: Champagne, França; Preço: R$ 147,00, na Casa Flora; Notas: elaborada com o corte clássico da região: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Manier, este champagne é dos bons. Mostra suas qualidades no visual com perlage finíssima e no nariz com aromas elegantes e intensos. Na boca é puro equilíbrio. Resolve qualquer mau humor!
O duro é voltar a ser mortal! Saúde!