Amigos confrades, ontem em degustação na ABS SP, tive o prazer de conhecer 4 excelentes vinhos doces. Daqueles que nos fazem pensar na vida, com calma! A seleção foi muito feliz, a começar pela diversidade de estilos e países: Áustria, Hungria, França e Portugal, nesta ordem. Falaremos hoje de 3 métodos de elaboração para vinhos doces: os vinhos Botrytisados, os de Colheita Tardia e os Portos.
No 1º, a uva ainda no pé, é atacada por um fungo, causando a “Podridão nobre”. Aparentemente a uva está “podre” mas, na verdade, são destas uvas horrorosas que saem os grandes vinhos doces do mundo. Isto é possível somente em certas regiões do mundo onde um Terroir perfeito (mix de umidade e calor, sempre com neblina) permite que o fungo ataque a uva sem “matá-la”.
No 2º método, a uva permanece no pé por um período mais longo, acentuando seu grau de açúcar. Também é conhecido como Late Harvest. A dificuldade aqui fica por conta do risco de chuva durante o período de exposição da videira.
O 3º método é bem diferente. Nele o vinho sofre uma adição de álcool durante o processo de fermentação. Com isso, a transformação química natural do açúcar da uva em álcool é interrompida e o resultado é um vinho mais alcoólico e ainda com açúcar residual.
Ambos os métodos são capazes de produzir vinhos fantásticos. A acidez, principalmente nos 2 primeiros, deve ser elevada para tornar o vinho fresco e vivo, equilibrando o álcool e a concentração de açúcar residual. O rendimento destes vinhos sempre são muito baixos e, portanto, seu preço é normalmente elevado. Os vinhos degustados foram:
Região e pais: Burgenland, Austria; Preço: U$ 49,50; Importador: Mistral; Notas: com notas de flores, frutas e flor de laranjeira, foi o mais elegante e delicado da degustação. Corpo médio e ótima acidez.
Região e pais: Tokaji, Hungria; Preço: U$ 87,50; Importador: Mistral; Notas: cor dourado intenso, notas cítricas, mel e tostado. Encorpado, com incrível acidez e persistência.
Região e pais: Madiran, França; Preço: R$ 130,80; Importador: Decanter; Notas: coloração intensa dourada, com aromas elegantes de frutas tropicais, mel intenso e notas de baunilha. Na boca é untuoso, encorpado e equilibrado, com leve predomínio do açúcar.
Vinho e produtor: Noval LBV 2001, Quinta do Noval
Região e pais: Douro, Portugal; Preço: R$ 145,00; Importador: Grand Cru; Notas: ruby intenso e vivo. Aromas de frutas em compota, especiarias, terroso e mineral. Na boca é encorpado, com taninos finíssimos, boa acidez e persistência longa.
Viva o vinho de sobremesa e TinTin!



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