O mundo do vinho é cheio de mitos: quanto mais velho melhor; vinho tinto deve ser tomado em temperatura ambiente; vinhos brancos combinam com carnes brancas e tintos com carnes vermelhas; entre muitos outros. A maioria destes mitos, entretanto, não passa de interpretações errôneas de algumas regras clássicas. A temperatura de serviço é um exemplo clássico! Você pode muito bem tomar vinho tinto em temperatura ambiente desde que esteja num país europeu (ou qualquer outro de clima frio) já que a temperatura correta de consumo é de 17-18°C.
Os equívocos mais comuns que percebo têm relação com a idade e guarda do vinho. “Quanto mais velho o vinho melhor” pode nos levar a uma série de decisões equivocadas. É importante entendermos que, assim como o ser humano, o vinho nasce, cresce, atinge seu auge e, por fim, morre. Ou seja, o vinho tem prazo de validade sim! De maneira geral, vinhos brancos e espumantes devem ser consumidos jovens, em até 2 anos, desde a safra do rótulo.
E como podemos saber se um vinho tem potencial para envelhecer somente olhando para o rótulo? Para responder esta questão, temos que pensar de traz para frente, levando em conta que um vinho de guarda precisa ter alta acidez, boa quantidade de taninos – aquela substância presente em alguns vinhos tintos que ‘amarra’ nossa boca como fruta verde, elevado teor de álcool e bom potencial aromático. O produto final terá todas estas características (ou boa parte delas), somente se a matéria-prima for de altíssima qualidade. Finalmente, para se obter uma uva perfeita, o vinhedo precisa estar no “terroir” perfeito, com condições naturais ideais de clima, temperatura, solo, sol e chuva para que a videira atinja seu máximo potencial.
Uma das conclusões que podemos tirar a partir das afirmações anteriores é que um vinho com potencial de guarda inevitavelmente vem acompanhado de preço mais elevado. Para exemplificar este raciocínio, podemos pensar em dois vinhos elaborados com a mesma uva, por um único produtor. O Syrah mais caro deste produtor poderá ser guardado por mais tempo se comparado ao Syrah mais barato.
As diferentes uvas também são bons indicadores no momento da compra. A Pinot Noir, por exemplo, normalmente envelhece menos que a Cabernet Sauvignon. A região de origem também pode nos ajudar pois, os vinhos do Velho Mundo (Europa) costumam envelhecer por mais tempo do que os vinhos do Novo Mundo (Chile, Argentina, Brasil, África do Sul, Austrália).
Dicas:
Para se tomar jovem: Reserva Merlot 2009, Caliterra, Chile – estimativa de guarda: 4 anos (R$41,80*) FOTO – de coloração rubi, aromas de cerejas maduras, violeta, couro e chocolate. Muito concentrado, com longo final.
Para guardar: Amarone Classico Campo Casalin 2005 (Michele Castelani, Veneto, Itália) – estimativa de guarda: 18 anos (R$197,00*) FOTO – coloração púrpura, mostra aromas de ameixas, groselha e caramelo. Em boca é sedoso, com taninos macios e muito frutado.
Para guardar: vinhos tintos como Barolos e Barbarescos (uva Nebbiolo); Hermitages (uva Syrah), Brunelos de Montalcino (uva Sangiovese), Bordeaux e Bourgogne tops, Gran Reserva espanhóis, Tannats franceses e uruguaios; vinhos brancos tops da Alemanha (uva Riesling), franceses Grand Cru da Alsácia (uva Gewurztraminer), Loire (uva Chenin Blanc), Chablis de Bourgogne (uva Chardonnay); vinhos doces como Sauternes, Tokaji, Portos Vintage, entre outros.
Para uma perfeita conservação de seus vinhos de guarda é necessário uma Adega climatizada que mantém a temperatura correta (15°C), sem oscilação, protege o vinho da luz direta e da vibração - comum em refrigeradores convencionais, além de controlar a umidade evitando que as rolhas sequem, permitindo a entrada de ar.
TinTin!
*vinhos da importadora DecanterTexto publicado na Revista Alpha Report (número 6, pg 94)

1 comentários:
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